OS CONDICIONAMENTOS IMPOSTOS (desenho)

Publicado a 21 de abril de 2013 por lgm 

 Mais cedo ou mais tarde, dependendo do próprio  amadurecimento espiritual, cada um deve realizar o trabalho do autodescobrimento. Tal é necessário para que o ser humano identifique, realmente, o que ele é, através das suas tendências, habilidades, dificuldades intelecto-morais etc.

Muito do que, com o tempo, se transformou em automatismos e condicionamentos foi simplesmente sendo agregado ao psiquismo das pessoas, começando pela influência da família carnal, da convivência com determinadas pessoas de índole dominadora e, no caso do casamento, pela indução do outro cônjuge, principalmente se foi longa a convivência.

Há pessoas de personalidade mais forte e pessoas de personalidade impressionável, sendo que a tendência é as primeiras imporem às segundas um estilo de pensar, sentir e agir que não lhes é natural e estas últimas acabam automatizando tudo, como uma “segunda natureza” e, quando param para se analisar, verificam que deixaram de ser elas próprias e estão apenas repetindo o que lhes foi induzido pelas primeiras.

Jesus, Modelo de todas as virtudes para os habitantes da Terra, nunca tentou mudar a natureza de quem quer que fosse, mas apenas sugeriu melhorias espirituais, deixando para cada um a escolha que mais lhe interessasse. Assim se pode ver no célebre encontro do senador romano Públio Lêntulo Cornélio com o Divino Mestre, narrado por Emmanuel no seu livro “Há Dois Mil Anos”, psicografado por Chico Xavier. O senador, mesmo ouvindo as judiciosas ponderações do Sublime Governador da Terra, preferiu continuar apegado às coisas, interesses e valores mundanos e somente depois “caiu em si” e mudou de rumo, passando a priorizar as coisas, interesses e valores espirituais.

É importante cada um identificar o que representa sua verdadeira individualidade, a fim de aperfeiçoar-se dentro do seu estilo próprio de ser, e descartando aquilo que foi-se colando ao seu modo de ser desde a mais tenra infância por influência alheia e que, nem sempre, é bom para a sua evolução.

Os parentes não são, necessariamente, obrigados a pensar, sentir e agir do mesmo jeito simplesmente porque são parentes. Não devemos imitar nossos pais e antepassados pelo simples fato de lhes devermos gratidão, se seus exemplos de vida não nos convém como padrões de evolução. Apesar de valorizarmos quem quer que seja, devemos ser nós mesmos e seguirmos nossas boas inclinações.

Pode parecer difícil realizar essa auto avaliação, mas ela tem de ser feita, cedo ou tarde, mesmo que apenas no mundo espiritual.

Em cada encarnação nascemos ligados, pelo parentesco e pela convivência, a determinadas pessoas, a fim de nos “universalizarmos”, mas isso não significa que devemos deixar de ser nós mesmos, despersonalizando-nos e passando a ser “amorfos”, ao ponto de nem mais sabermos quem somos essencialmente, como se fôssemos atores, que, de tanto mudarem de papel, não sabem mais quem são realmente como seres humanos.

A vida em coletividade, desde a infância, acaba nos impondo disfarces para tudo, pois, para não desagradarmos aos outros, calamos pontos de vista, imitamos as tendências dominantes, obedecemos aos mais poderosos e recalcamos tudo que vá nos colocar em confronto com os padrões vigentes, mesmo quando contrariam as nossas convicções éticas: assim, ao final de nossa encarnação não sabemos mais o que nos “pertence” e o que “passamos a ser” por força da pressão externa.

A espontaneidade a que nos referimos exige esse trabalho de autodescobrimento, a fim de que sigamos nossas tendências mais elevadas, aperfeiçoando-as, mas sendo sempre nós próprios naquilo que somos de melhor e deixando de lado, apesar de respeitar, aquilo que não nos é recomendável em termos de evolução.

Pensemos nisso com carinho e realizemos esse trabalho, que nos dará muita tranquilidade interior e certeza do que temos de fazer quanto a nós mesmos e quanto aos outros.

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