O INTERCÂMBIO COM O MUNDO ESPIRITUAL

Publicado a 23 de maio de 2012 por lgm 

Apesar de Allan Kardec, homem culto, certamente ter conhecimento sobre a comunicabilidade entre os vivos e os chamados “mortos” – através dos fatos relatados no Antigo e no Novo Testanento e em vários outros livros, sobretudo os religiosos, não só do Cristianismo, como de outras correntes religiosas – ficou grandemente surpreso com as revelações que foi gradativamente tendo sobre o mundo espiritual, não só relatadas por Espíritos desencarnados como por médiuns, por exemplo, videntes, com os quais passou a manter contato.

Quando publicou “O Livro dos Espíritos”, na sua primeira edição, em 18 de abril de 1857, já tinha em mãos um acervo muito grande de informações sobre o assunto, mas continuou suas pesquisas e daí surgiram os demais livros da Codificação, que são o resultado das referidas revelações e dos seus comentários pessoais, tudo exposto de forma didática, já bastante exercitada através dos outros livros que já tinha escrito sobre as disciplinas escolares da época.

No final de sua existência terrena, já estava consolidada no mundo material a Doutrina Espírita, com as características de Filosofia e Ciência, apesar do destaque dado ao aspecto religioso, inclusive com a publicação de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, pois que afirmaram os Espíritos Superiores que o Espiritismo é, na verdade, a Terceira Revelação dada aos encarnados, sendo a primeira a de Moisés e a segunda a de Jesus. Realmente, tanto Kardec quanto os Espíritos Superiores foram cautelosos em não darem ao Espiritismo, de início, as cores da religião, porque, naquele momento histórico, a oposição lhe seria maior ainda, pois que se digladiavam acirradamente o Cristianismo tradicional e o materialismo, que poderiam se unir para fazer abortar a Terceira Revelação.

Transplantado, posteriormente, para o Brasil, somente aqui, sobretudo com as obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier e a própria conduta pessoal do médium e os ensinamentos que foi repassando, provenientes quase sempre do seu Guia Espiritual Emmanuel, a Doutrina Espírita explicitamente assumiu o caráter de corrente religiosa.

Através das próprias informações dos Espíritos dos mais variados níveis intelecto-morais, Kardec tinha exposto, como realidades comprovadas, a imortalidade dos Espíritos, sua comunicabilidade com os encarnados, a reencarnação como uma das Leis Divinas, a pluralidade dos mundos habitados e a atuação da Justiça Divina através da própria consciência de cada um, onde está “escrita a Lei de Deus”.

Neste modesto estudo, porém, queremos ressaltar apenas a questão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados, que tem crescido em progressão geométrica, principalmente por causa da multiplicação dos Centros Espíritas, mais no Brasil que nos demais países.

Daí surgiu toda uma Literatura, que muito deve à mediunidade de missionários como Divaldo Pereira Franco, José Raul Teixeira e Yvonne do Amaral Pereira, além de outros tantos.

Mas as reuniões mediúnicas, realizadas nesses Centros, que se contam aos milhares, têm funcionado como meio principal de contato explícito entre os habitantes dos dois mundos: quantos parentes e amigos desencarnados têm-se revelado para consolo daqueles que estão no mundo material e quantos outros, que, ingressando na vida espiritual, despreparados moralmente, comparecem às reuniões mediúnicas como verdadeiros sonâmbulos, atordoados, e aí recebem esclarecimentos importantes para seguirem adiante, agora no mundo espiritual, onde se prepararão, sobretudo os menos evoluídos intelecto-moralmente, para nova encarnação!

Todavia, não devemos olvidar o trabalho missionário dos cientistas da TCI (Transcomunicação Instrumental), dentre os quais o saudoso Hernani Guimarães Andrade e a atuante Sônia Rinaldi, dentre outros, que serão os propiciadores da futura comunicação rotineira entre os dois mundos através de aparelhos, com produção audiovisual, o que terá sido uma das mais importantes conquistas científicas da humanidade, ao mesmo tempo, “matando”, de vez, o temor da desencarnação, por parte dos encarnados, e dando-lhes a certeza de que seus entes queridos estarão em permanente contato com eles, mesmo depois da desencarnação.

Entender-se-á, mais claramente ainda, que vale a pena a autorreforma moral, porque os próprios desencarnados, como fizeram a Kardec através de médiuns, mas agora através dos referidos equipamentos tecnológicos, relatarão suas eventuais dificuldades e necessidades vivenciadas no mundo espiritual quando despreparados o suficiente para a administração segura do próprio poder mental.

Não haverão mais lágrimas de saudade inconformada, mas somente de felicidade pelo contato direto; não mais o receio de passar pela experiência natural da desencarnação; não mais qualquer justificativa para alguém viver em função dos interesses materiais em detrimento da evolução intelecto-moral.

Estamos vivendo, como suficientemente propagado pelos Espíritos Superiores, a fase de transição da Terra para mundo de regeneração.

Invistamos no nosso próprio aprimoramento, porque daqui a um tempo menor do que imaginamos já nos encontraremos em uma realidade muito mais feliz do que a atual, porém tudo isso dependerá, como se sabe, do nosso próprio esforço pessoal na autorreforma moral.

Para avançarmos no Conhecimento, como já dizia, há mais de quatro séculos atrás, Michel de Montaigne, somente há o caminho da nossa espontânea submissão ao Pai Celestial, no cumprimento diário das Suas Leis, que se resumem no Amor a Ele e ao próximo como a nós mesmos.

Felizes seremos por não estarmos ligados aos nossos entes queridos desencarnados apenas pelo fio invisível do pensamento e os encontrarmos apenas durante o sono corporal, mas principalmente por podermos vê-los e dialogar com eles diretamente em nossos próprios lares, seja através da mediunidade, que terá se multiplicado e apurado, seja através dos mencionados aparelhos.

Então, terá se implantado a Nova Era na Terra.  

Um aluno

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