O DINHEIRO

Publicado a 27 de abril de 2012 por lgm 

Como se sabe, nos tempos mais recuados da História não havia o dinheiro, sendo que se trocavam mercadorias como forma de pagamento pelas que eram adquiridas. Até hoje há, em alguns pontos do globo, comunidades primitivas que ainda adotam esse procedimento, como verdadeiras exceções no contexto mundial.

O dinheiro significou uma evolução para a humanidade, entrando a figura do Estado como entidade avalizadora desse produto, que passou a simbolizar um valor, aceito por todos os cidadãos.

Por outro lado, devido ao atraso ético-moral da maior parte da humanidade, o dinheiro transformou-se em objeto de quase adoração, tanto que Jesus menciona o deus Mamom sendo colocado por muitos em pedestal superior ao Amor que devemos ter ao Pai Celestial.

Mamom simboliza a riqueza material, foco no qual milhões de encarnados concentram sua inteligência, sua vida, seu trabalho, sua ambição, seus vícios, sua ganância, sua corrupção e seu egoísmo.

Quantos preferem a ociosidade e somente trabalham em função do dinheiro, sem pensar na utilidade intelecto-moral que ele representa para o próprio Espírito, tanto que é uma das Leis Divinas, nem nos benefícios que deve proporcionar às coletividades!

Jesus convenceu Zaqueu a abandonar a riqueza mal adquirida e segui-l’O, mas teve Sua proposta libertadora recusada pelo “moço rico”, que era escravo do dinheiro.

O Divino Mestre nunca amaldiçoou a riqueza nem os ricos, apesar dos que interpretar literalmente Suas palavras pensarem o contrário, nem também acusou de imoral a recompensa material pelo trabalho, necessária à sobrevivência do corpo enquanto estamos encarnados, mas sim ensinava a provisoriedade de tudo que é material, pois o Espírito, na sua pátria verdadeira, que é o mundo espiritual, desnecessita dos recursos materiais, pois ali o fator determinante de tudo é o poder mental, traduzível na inteligência e no Amor Universal, apanágios dos Espíritos Superiores.

Quem teve oportunidade de ler o livro “Nosso Lar”, do Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, pôde ver que naquela cidade espiritual adotou-se o “bônus-hora” como forma de comprovação da realização de trabalho útil em favor dos irmãos em humanidade. Todavia, não se equipara ao nosso dinheiro terreno: em tese, ninguém recebe remuneração superior a outrem, a não ser aqueles que se dedicam a determinadas atividades consideradas sacrificiais; ninguém fica rico, acumulando bônus egoisticamente; cada pessoa só pode adquirir, no máximo, uma única moradia e, em suma, os Espíritos mais evoluídos sequer fazem questão de receber tais créditos, pois que realizam suas atividades movidos pelo sentimento do Amor Universal.

Nós, que pretendemos continuar na Terra quando ela passar a mundo de regeneração, devemos começar a exercitar o desapego ao dinheiro dentro do que nossa evolução moral consegue, porque, somente assim, estaremos evoluindo espiritualmente.

Milhões de encarnados tisnam a consciência, de variadas formas, na aquisição do pão de cada dia; outros falham no cumprimento de suas provas espirituais pelo receio do dinheiro vir a lhes faltar e aos seus entes queridos nas horas difíceis da vida e assim por diante…

Grassa a incompreensão quase generalizada quanto à provisoriedade do dinheiro e até muitos religiosos convictos falham na prática da caridade quando envolve dinheiro.

Verifiquemos se estamos “adorando a Deus ou a Mamom”, ou seja, se adquiramos o pão de cada dia ganho com o suor do rosto, honestamente, e destinamos aos nossos irmão em humanidade o que ultrapassa o necessário à nossa sobrevivência, pois, em caso contrário, nossa consciência e a Justiça Divina nos cobrarão as ações e omissões debitáveis ao egoísmo que porventura ainda trouxermos encravado no nosso psiquismo.

Luiz Guilherme Marques

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