O CUMPRIMENTO ESPONTÂNEO DOS DEVERES

Publicado a 24 de Fevereiro de 2012 por lgm 

Jesus afirmou: “Eu trabalho e Meu Pai também trabalha”.

Certa feita, Francisco Cândido Xavier, preocupado com a pobreza e, infelizmente, a ociosidade de grande parte da população, falou, com sua proverbial delicadeza, que todos deveriam trabalhar como forma de reduzir-se a pobreza.

Nossa economia sustentou-se durante quase quatro séculos sobre os ombros sofridos dos escravos, inicialmente indígenas e depois africanos, fazendo com que aqueles últimos, após a Lei Áurea, adquirissem certa prevenção contra o trabalho, enquanto que muitos cidadãos de pele branca ainda não se deram conta de que devem trabalhar…

A intenção de ganhar dinheiro sem trabalho se reflete, por exemplo, no grande número dos aficionados das loterias e em muitos daqueles que litigam na Justiça visando indenizações desarrazoadas…

Todavia, não tratamos aqui apenas do dever de trabalhar, mas também do cumprimento dos demais deveres.

Como ocidentais, tendemos a supervalorizar os direitos e não querer enxergar os deveres, ao contrário dos indianos em geral, que, estudando o Dharma (conjunto de deveres), levam mais a sério suas obrigações sociais, morais e espirituais do que eventuais direitos.

Passando a Terra a mundo de regeneração, seus habitantes deverão estar adaptados ao cumprimento espontâneo dos seus deveres, ao mesmo tempo em que levarão em conta os direitos, principalmente os alheios.

Nossa consciência, se consultada e, principalmente, ouvida, indica quais são os nossos deveres.

Lev Tolstoi, quando encarnado, chegou ao ponto de considerar inúteis as leis, se todos adotassem o Evangelho como regras de conduta, no que estava absolutamente correto.

Infelizmente, devido aos abusos que muitos cometemos, são necessárias as leis e, principalmente, aquelas que estabelecem penalidades: ainda não nos habituamos ao cumprimento espontâneo dos nossos deveres.

As correntes religiosas, sem exceção, pregam o Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, sendo que, se assim procedermos, estaremos prontos para continuar vivendo neste nosso planeta. Em caso contrário, passaremos à posição de réus, que poderão ser degredados para um mundo inferior, tal qual ocorreu aos capelinos há alguns milênios atrás.

Cumprir os próprios deveres demanda disciplina interior e autoanálise constante, transformando-se, gradativamente, o esforço nem sempre fácil e agradável em espontânea e deleitosa iniciativa, que é a Felicidade dos Espíritos evoluídos.

Luiz Guilherme Marques

Este artigo foi arquivado em Artigos

Deixe o seu Comentário