CONSIDERAÇÕES SOBRE O DESAPEGO

Publicado a 25 de Março de 2012 por lgm 

Como se sabe, o egoísmo é uma das chagas da humanidade, sendo-lhe a virtude oposta correspondente o desapego, que significa a capacidade de renunciar a tudo que não seja realmente essencial, não se restringindo aos bens materiais, mas também a qualquer outro tipo de benefício.

O nível de desapego de cada Espírito revela sua estatura espiritual, podendo-se considerar como referencial máximo Jesus, que no-lo ensinou, por exemplo, quando disse: “Não tenho uma pedra onde descansar a cabeça.”

Por ter ciência de que o Mundo Espiritual é nossa verdadeira pátria, sendo a vida terrena mera passagem temporária necessária, principalmente para quem ainda se encontra nos degraus inferiores da evolução moral, os Espíritos Superiores não se apegam às coisas e interesses materiais.

Assim, quem pretende evoluir moralmente necessita desapegar-se, o máximo que conseguir, de tudo que não possa levar para o Mundo Espiritual, ou seja, o que não sejam suas próprias aquisições intelecto-morais. Tudo o mais, inclusive o corpo físico, como se sabe, fica para trás na trajetória para a pátria verdadeira.

Exemplifiquemos, para melhor compreensão, por que compensa desapegarmo-nos desde já.

O Espírito André Luiz descreve a cidade espiritual de Nosso Lar e as regras que ali vigoram, podendo-se entender que regulamentos semelhantes se aplicam às demais urbes espirituais de igual categoria.

Ali cada habitante ou família pode possuir apenas um imóvel para a própria moradia, não havendo a mínima possibilidade de alguém, mesmo os dirigentes, monopolizarem a área imobiliária e, muito menos, explorarem a necessidade dos demais.

Quanto ao salário, é idêntico, em tese, para todos, seja um trabalhador braçal, seja o governador da cidade.

As necessidades básicas são atendidas sem distinção do nível evolutivo, não havendo ninguém colocado à margem da assistência que a Caridade recomenda.

Considerando esses fatores, ainda mais depois da enorme divulgação que o filme Nosso Lar deu a esses aspectos e outros da vida no Mundo Espiritual, não se concebe como muitos de nós ainda vivamos apegados de forma obsessiva aos ganhos materiais, ao poder temporal e a inúmeras questões que nada acrescentam à evolução intelecto-moral.

É necessário atentarmos para o que fazemos dos bens que chegam às nossas mãos, principalmente se lhes estamos dando uma destinação útil aos nossos irmãos em humanidade. Em caso contrário, acordemos para a realidade que nos aguarda, porque podemos ser chamados, a qualquer momento, a “prestar contas dos talentos que recebemos”, na certa quando assumimos o compromisso de realizarmos o Bem.

Quem vive apegado aos bens e interesses terrenos revela, mesmo que afirme o contrário, pouca certeza quanto à vida espiritual, pois, em caso contrário, não tergiversaria em renunciar a muitas coisas do mundo pelas riquezas espirituais, que se traduzem, basicamente, nas conquistas interiores da inteligência e da moralidade.

O tempo urge e não há como adiarmos mais a reflexão sobre o quanto já nos desapegamos de tudo que nos mantém atrelados ao passado primitivista, que nos mantinha jungidos até ao próprio corpo em estado de putrefação, após a morte.

A consciência age matematicamente, apesar do Amor Divino nos conceder sempre novas chances de refazimento moral.

Luiz Guilherme Marques

Este artigo foi arquivado em Artigos

Deixe o seu Comentário