A SIMPLICIDADE

Publicado a 27 de abril de 2012 por lgm 

Sabemos que Jesus é o modelo de todas as virtudes acessíveis aos Espíritos ligados ao nosso planeta.

A simplicidade, que é a virtude oposta ao defeito moral da vaidade, foi exemplificada pelo Divino Mestre num grau nunca antes ou depois igualado, por exemplo, quando, apesar de reconhecer-se mestre (professor), recusou o qualificativo de Bom, afirmando que apenas o Pai merecia esse adjetivo. Afinal, ensinar significa transmitir as lições aprendidas normalmente no contato com outros mestres mais qualificados e Jesus se reconhecia mero Porta-voz das Leis do Pai, a Quem sempre reverenciou.

Jesus nunca pretendeu mostrar-se superior ao que realmente é, apesar da quase infinita distância intelecto-moral que d’Ele nos separa.

Com base nas Suas palavras e, principalmente, Seus exemplos, podemos ir, gradativamente, aprendendo a simplicidade.

As circunstâncias do Seu nascimento, em meio aos animais humildes e assistido apenas pelo próprio pai terreno, numa estrabaria, é um dos mais expressivos demonstrativos da simplicidade que quis fazer caracterizar Sua vida.

A presença dos magos, que vieram homenageá-l’O, significou apenas um anúncio do Seu nascimento, como referência para os homens e mulheres O identificarem posteriormente como o Messias prometido. Nada de evidência desnecessária ao objetivo da Sua Missão.

Os debates, quando adolescente, com os sábios do templo, não visavam autopropaganda nem desapreço às limitações daqueles que se julgavam conhecedores das Coisas de Deus, mas devem ter despertado pelo menos alguns deles para uma visão mais humanizada da Lei, que era interpretada como fórmulas de rituais e gestos exteriores, mas sem o ingrediente do Amor.

Aos 30 anos, como se sabe, passou a explicitar Sua Doutrina, de forma singela e acessível a qualquer do povo, mesmo e, sobretudo, aos iletrados.

Conviveu principalmente com os marginalizados pela elite, que, como a de hoje, mantém-se normalmente distante dos sofrimentos do povo.

A simplicidade, nos dias que correm, não precisa chegar ao nível de pobreza extrema vivenciada por Jesus, mas devemos verificar se estamos pensando, sentindo e agindo dentro dos limites do razoável para satisfação das nossas necessidades realmente essenciais, sob as vistas da própria consciência.

Quanta gente se perde no consumismo, no desejo infrene de evidência inútil, na frequência irrazoável a ambientes onde predominam as futilidades e na perda de tempo com os interesses puramente materiais, sem proveito algum para nosso crescimento espiritual!

Nossa verdadeira pátria é a espiritual, sendo que estamos encarnados “apenas por um pouco de tempo”, parafraseando Emmanuel, sem sabermos a hora da partida.

Naquela pátria contam, sobretudo, as aquisições morais: qualquer outro item, além de nada ou quase nada significar, pode, ao contrário, traduzir-se em pesados gravames a serem pagos em condições dramáticas.

Por isso, a simplicidade deve fazer parte da nossa vida interior e, se possível, da exterior, uma vez que, ao mesmo tempo que nos aperfeiçoamos, daremos o exemplo à maioria das pessoas, que, infelizmente, vive e sofre horrivelmente em função das vaidades e futilidades, do apego a quinquilharias e falsos valores, às aparências e aos  “tesouros que a ferrugem corrói”.

Ser simples é apanágio dos Espíritos Superiores, que se sentem felizes com a singeleza, enquanto que os Espíritos imperfeitos se aferram aos  apetrechos materiais, títulos, honrarias e demais acessórios às vezes ridículos.

No mundo de regeneração as pessoas não sofrerão por causa das coisas materiais, pois terão seu interior plenificado, repleto daquilo que realmente as fará realizadas: seu desenvolvimento intelecto-moral.

Antecipemo-nos para sermos felizes desde agora!  

Luiz Guilherme Marques

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