A LEI DA JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE

Publicado a 25 de abril de 2012 por lgm 

Quando o profeta Elias determinou a morte de milhares de descrentes no Deus único, estava assumindo um débito frente à Justiça Divina e à própria consciência, pois, a pretexto de ensinar a Verdade, simplesmente puniu aqueles que não tinham ainda atingido o nível intelecto-moral para compreender a Verdade. Renascendo, séculos depois, como João, o Batista, com a missão de apontar ao povo o Messias prometido, ainda assim, enxergou a punição dura como argumento pedagógico, tanto que vituperou constantemente a vida dissoluta de Herodes e seus familiares, tarefa que não lhe competia, o que lhe provocou indiretamente a própria morte, ressarcindo, em parte a dívida contraída séculos antes…

Pode parecer estranhável aos que não entenderam ainda que “a letra mata e o espírito vivifica” as seguintes palavras de Jesus: “Dentre os filhos nascidos de mulher ninguém há maior que João Batista.”, mas talvez o Divino Mestre quisesse afirmar uma tendência ainda “horizontal” daquele Espírito muito antigo, Superior pelas nobres intenções, que o faziam Arauto da Justiça, mas sem condições de enxergá-la atrelada umbilicalmente ao Amor e à Caridade, formando um Triângulo Divino indissolúvel.

Aliás, essa faceta da Verdade somente foi esclarecida em definitivo com o advento da Doutrina Espírita, no século XIX, depois que a humanidade foi amadurecendo e se desenvolvendo intelecto-moralmente, pois já tinha ouvido falar na Justiça, sobretudo, através de Moisés, e no Amor, sem dúvida nenhuma, inigualavelmente, pela palavra e, principalmente, pela exemplificação de Jesus.

A Doutrina Espírita trouxe a terceira face do Triângulo Divino: a Caridade, assim afirmando os Espíritos Superiores: “Fora da Caridade não há salvação.”

Todas as vezes em que a Justiça não se fez acompanhar do Amor e da Caridade, vivenciamos alguns dos piores períodos da História, como, por exemplo, as Cruzadas, quando cristãos declararam guerras absurdas aos muçulmanos, a pretexto de recuperar os lugares onde Jesus tinha vivido, como se o Divino Mestre precisasse de algum local específico para ser lembrado; as mortes decretadas sumariamente pelos revolucionários franceses, sob o argumento da concretização da Liberdade e da Igualdade na França; o extermínio de milhões de judeus pelos nazistas, sob a falácia da necessidade da eliminação de uma raça impura, que impediria a Alemanha imperialista de tornar-se a nação mais poderosa do planeta.

Ainda hoje, passados mais de um século e meio da afirmação dos Espíritos Superiores que trouxeram para o mundo terreno a Doutrina Espírita, as leis humanas ainda não visualizaram o Triângulo Divino, interpretando a Justiça como uma linha horizontal, através da qual são castigados todos aqueles que contrariam as regras impostas por legisladores muitos deles tão míopes quanto Elias…

Sem o Amor e a Caridade não há como os incapacitados de pensar, sentir e agir no Bem iluminarem o próprio interior, evoluindo intelecto-moralmente, pois o castigo não desperta a consciência que dorme, mas apenas faz sofrer o corpo e o psiquismo.

Jesus conquistou Paulo de Tarso quando, ao invés de castigá-lo, iluminou sua consciência pelo Amor e a Caridade ao indagar-lhe: “- Saulo, por que Me persegues?” Assim mesmo procedeu quanto a Maria de Magdala e Zaqueu, os três grandes convertidos dos tempos evangélicos, que se tornaram, em seguida, Arautos do Amor.

A Caridade, tão difundida pelo Espiritismo, tem despertado consciências que dormiam há séculos, atordoadas pelos desatinos e violências praticadas quando membros das famigeradas Cruzadas, revolucionários de 1789 e membros do nazismo nefando.

Acordemos, nós também, nossa consciência para não pleitearmos ou aplicarmos somente a Justiça, mas sempre a ligarmos ao Amor e à Caridade, quer na vida pública quer na vida privada, pois os Tempos Novos, o mundo de regeneração, consagrará, em definitivo, essa Realidade.

Antecipemos o Mundo Novo, vivendo-o e pregando-o pela palavra e pelo exemplo!

Luiz Guilherme Marques

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