A COMPREENSÃO DAS DIFERENÇAS

Publicado a 22 de maio de 2012 por lgm 

Para muita gente o estrume provoca aversão e desprezo, mas, para o biólogo, representa um elemento valiosíssimo, indispensável para que uma semente se transforme gradativamente em árvore frondosa ou numa roseira, que enriquecerá os jardins do mundo, exalando perfumes preciosos.

O lírio somente se desenvolve nos terrenos pútridos.

A Sabedoria e o Amor Divinos estabeleceram que todos os seres do Universo são interdependentes, interligados de forma inderrogável, mesmo que não saibam dessa determinação ou não a aceitem.

Não nos referiremos aqui à interdependência entre os Reinos da Natureza, mas entre as pessoas. Sendo uns Espíritos mais desenvolvidos intelecto-moralmente que outros, uns representam o papel de árvores gigantescas, que dão sombra e frutos, ou roseiras, que exalam seus olores a longas distâncias, enquanto que outros desempenham o papel de adubo.

Todavia, sendo, como é, infinita a escala evolutiva, somos, ao mesmo tempo, uma coisa e outra, dependendo de quem sejam aqueles a quem nos comparamos: em relação aos Espíritos mais primitivos que nós, somos a planta e em relação aos mais evoluídos, somos adubo.

Ninguém está exatamente na base da pirâmide, que se perde no infinito das origens, e ninguém está no topo, que segue em direção à perfeição relativa.

Por isso, não devemos desprezar aqueles que nos obrigam a “caminhar com eles dois mil passos” ou nos “pedem a túnica”, bem como não devemos entender que sejamos inúteis na Obra do Progresso.

Jesus trouxe a Boa Nova, mas não dispensou a contribuição dos 12 apóstolos para propagá-la, aliás, depois tendo convidado mais 70 e depois mais 500, sem contar aqueles que, com o decurso do tempo, foram sendo agregados ao Seu Coração como discípulos, entre os quais nos incluímos, mesmo que como dos menos qualificados, mas sinceros nos propósitos de aprender e praticar Suas Lições.

Quem nos faz mal, nos exercita na paciência; aqueles que nos desafiam, pedem Amor sem que se dêem conta disso; os que nos criticam, apontam as falhas que ainda trazemos e que precisam ser sublimadas.

Da mesma forma, não temos condições de assimilar as lições dos que nos estão muito acima na escala evolutiva, sendo que muitas das nossas atitudes lhes causam dificuldades, que eles, caridosamente, procuram contornar, ensinando-nos como agir corretamente.

Ninguém deve tomar a si próprio como modelo, pois somente Jesus, para a humanidade da Terra, está à altura de desempenhar esse papel, pois que representa o Caminho, a Verdade e a Vida, pela Sua Trajetória retilínea desde o início do Seu périplo evolutivo.

Pacientar-se, perdoar e ajudar com calma não representam, na verdade, reais virtudes, mas simples entendimento de que os espinhos fazem parte da roseira e a protegem, a imundície fornece elementos químicos imprescindíveis ao desenvolvimento dos vegetais e, por outro lado, quando desempenhamos o papel de provocadores de sofrimento aos outros, realizamos o trabalho do esterco e, com isso, muitos nos qualificarão nessa categoria, ou seja, com desprezo e aversão, de que não deveremos reclamar.

Igualmente, aceitemos a convivência dos cobradores e demais sacrificadores da paz alheia, porque, sem eles, estaremos condenados à estagnação intelecto-moral.

Nos momentos difíceis, elevemos o pensamento ao Pai Celestial, que nos fará compreender estas verdades e nos inspirará a fórmula certa para pacificarmo-nos interior e exteriormente, seguindo adiante, sem a pretensão de transfomar, de imediato, adubo em planta e nem pretendermos essa mutação em nós próprios.

Sigamos adiante, porém, admitindo que cada um desempenha seu papel, conforme o nível que já conseguiu galgar e nada nos perturbe, nem nossas limitações, nem as alheias, porque o Pai Celestial a todos nos encaminha em direção a Ele. 

Um aluno

 

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